Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Quando nem a fé parece bastar

Há momentos em que tudo desaba.

Planos falham, pessoas se vão, certezas evaporam. E até a fé, que já foi farol em tantas noites escuras, começa a vacilar. Fica pequena, frágil, parecendo não ter força suficiente para sustentar o peso dos dias.

Quando nem a fé se sustenta, o que resta?

Resta o silêncio.

Resta a respiração.

Resta um fio quase invisível — não de esperança plena, mas de sobrevivência.

Resta o gesto pequeno de continuar.

Resta o corpo, cansado mas presente.

Resta a lágrima que escorre sem vergonha, lembrando que ainda existe sentimento.

E às vezes… é justamente nesse vazio, nesse quase nada, que algo novo começa a nascer. Não é a fé antiga, embalada em promessas que não se cumpriram. É uma fé que reaprende a caminhar descalça. Que não exige respostas, mas aceita recomeços. Que não precisa entender tudo — apenas sentir que, de algum jeito, ainda vale a pena tentar.

Porque mesmo sem certezas, ainda existe um coração batendo.

E isso já é alguma coisa.

Talvez seja o começo de tudo outra vez.

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