Há momentos em que tudo desaba.
Planos falham, pessoas se vão, certezas evaporam. E até a fé, que já foi farol em tantas noites escuras, começa a vacilar. Fica pequena, frágil, parecendo não ter força suficiente para sustentar o peso dos dias.
Quando nem a fé se sustenta, o que resta?
Resta o silêncio.
Resta a respiração.
Resta um fio quase invisível — não de esperança plena, mas de sobrevivência.
Resta o gesto pequeno de continuar.
Resta o corpo, cansado mas presente.
Resta a lágrima que escorre sem vergonha, lembrando que ainda existe sentimento.
E às vezes… é justamente nesse vazio, nesse quase nada, que algo novo começa a nascer. Não é a fé antiga, embalada em promessas que não se cumpriram. É uma fé que reaprende a caminhar descalça. Que não exige respostas, mas aceita recomeços. Que não precisa entender tudo — apenas sentir que, de algum jeito, ainda vale a pena tentar.
Porque mesmo sem certezas, ainda existe um coração batendo.
E isso já é alguma coisa.
Talvez seja o começo de tudo outra vez.
