Família

Tempos difíceis, corações frios

Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis…

Assim começa uma antiga passagem que, apesar de milenar, soa assustadoramente atual.

Vivemos em um tempo de pressa e distração.

De corações ocupados demais para sentir,

e relações que se tornam frágeis diante de qualquer desconforto.

A antiga escritura dizia que, nesses tempos, os humanos seriam egoístas, ingratos, desobedientes, sem amor pela família.

E por mais simbólica que a linguagem seja, é difícil não reconhecer alguns traços dessa profecia no espelho do presente.

Há pais solitários, filhos que se perderam uns dos outros,

afetos adoecidos pela ausência de escuta,

e lares que viraram campos de guerra silenciosa.

Mas talvez a mensagem nunca tenha sido sobre o medo do fim,

e sim sobre o convite ao recomeço.

Porque, se esses comportamentos anunciam o colapso,

então o caminho de volta começa com pequenas revoluções internas:

Resgatar o respeito.

Relembrar a gratidão.

Reverenciar quem nos deu os primeiros passos — mesmo imperfeitos.

Reconhecer que ainda é tempo de amar melhor.

Não importa qual livro sagrado te guia,

nem se algum te guia

o que importa é perceber que, em todas as tradições,

o amor é sempre o antídoto mais urgente.

Se os tempos são difíceis,

que sejamos gentileza.

Que sejamos memória de cuidado num mundo cada vez mais esquecido de si.

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