Do Avesso ao Essencial

Julgar é olhar o outro com os olhos da própria história — e esquecer que ele tem a dele

É fácil julgar.

Mais fácil do que escutar.

Mais simples do que tentar entender o que não se conhece.

O julgamento chega rápido.

Antes da escuta, antes da empatia, antes da pausa.

Ele se apoia em aparências, em suposições, em certezas frágeis.

Mas ninguém conhece o peso que o outro carrega por dentro.

Ninguém vê as batalhas silenciosas, as noites mal dormidas,

as feridas que o tempo ainda não curou.

Julgar é pular capítulos de uma história que não é sua.

É interpretar sem contexto,

apontar sem saber,

rotular sem sentir.

E às vezes, quem mais julga…

é quem menos se permite olhar para dentro.

Porque é mais fácil apontar o erro alheio

do que lidar com a própria sombra.

A cura começa quando trocamos o julgamento pela curiosidade respeitosa.

Quando perguntamos ao invés de concluir.

Quando escutamos antes de interpretar.

Quando percebemos que o outro é tão humano quanto nós

imperfeito, complexo, em processo.

Porque no fim das contas, o que transforma não é o julgamento.

É a presença que acolhe.

É o olhar que compreende.

É o silêncio que não precisa ter razão — só conexão.

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