Você pode mostrar como se sente.
Pode explicar com calma, com dor, com verdade.
Pode dizer: “isso me machuca”, “não me sinto visto(a)”, “preciso de escuta”.
Pode até abrir espaço para diálogo — se houver espaço para isso.
Mas há algo que você precisa lembrar:
você pode oferecer consciência, mas não pode forçar transformação.
Não se ensina empatia a quem ainda está preso no próprio ego.
Não se planta escuta onde tudo é resistência.
Não se constrói afeto onde só há controle.
Você pode ter as palavras certas, o coração aberto, a melhor das intenções.
Mas se o outro não tem disposição de olhar para si,
nada do que você disser vai ecoar.
Não por culpa sua.
Mas porque há gente que só entende o valor de uma presença depois que ela se torna ausência.
E aí entra um ponto delicado, mas necessário:
até quando é sua responsabilidade tentar?
Quando o esforço começa a te consumir,
quando a sua tentativa vira silêncio imposto,
quando o seu cuidado vira autoabandono
já não é ajuda. É sacrifício.
Oferecer consciência é um gesto de amor.
Mas aceitar que o outro não quer mudar
é um gesto de amor-próprio.
