Existem pactos que a gente faz sem perceber.
Pactos silenciosos com rotinas que nos sufocam, com relações que não nos veem, com versões antigas de nós mesmos que já não cabem mais.
Eles não gritam.
Eles não se impõem.
Mas estão ali, firmes, nos mantendo exatamente no lugar onde a alma já não floresce.
E o mais delicado?
É que esses pactos muitas vezes parecem “vida normal”.
Seguem disfarçados de hábito, de obrigação, de estabilidade.
Passam despercebidos — às vezes por anos.
Mas chega um momento em que algo dentro de nós sussurra diferente.
Uma palavra que ressoa, uma conversa que toca, uma leitura que desperta.
E então os pontos começam a se ligar.
Devagar.
Com ternura.
Com a coragem mansa de quem quer se reencontrar sem se machucar.
Esse é o convite:
Olhar para os pactos que você fez com o que te prende.
E perguntar: isso ainda me representa?
Porque estagnar também é uma escolha.
Mas seguir — com delicadeza e verdade — é um ato de renascimento.
