Nem toda ausência é neutra.
Há silêncios que gritam.
Silêncios que ferem mais do que uma palavra dura dita no impulso.
Existe o silêncio que acolhe, que dá espaço, que cura.
Mas também existe o outro:
o que afasta, o que pune, o que impõe.
Aquele silêncio que não nasce da paz,
mas do descaso, do orgulho ou da vontade de ferir sem precisar falar.
Talvez você já tenha sentido isso.
Uma conversa interrompida com o olhar virado para o lado.
Uma dor ignorada porque “não vale a pena discutir”.
Um pedido de escuta que se transformou em silêncio absoluto.
E de repente, ali, no meio de um não-dito,
você percebe:
estou sozinho(a) dentro de uma relação que deveria ser abrigo.
O silêncio também comunica.
Comunica ausência, rejeição, desinteresse.
Comunica falta de empatia, falta de presença, falta de cuidado.
E às vezes, o que mais machuca não é a palavra mal dita —
mas aquela que nunca veio.
A explicação que não chegou.
O afeto que foi negado.
A conversa que foi adiada até virar distância.
Falar exige coragem.
Escutar, ainda mais.
Mas silenciar como forma de controle ou punição
é uma violência sutil que rouba o ar do vínculo.
Que a sua voz não seja usada para ferir,
mas que o seu silêncio também não seja arma.
Porque o silêncio pode ser respeito,
mas também pode ser abandono.
E quem sente, sabe a diferença.
