“Não mude por ninguém.”
Essa frase, repetida como escudo, muitas vezes parece força.
Parece firmeza, autenticidade, independência.
Mas quando usada sem consciência, ela deixa de proteger — e começa a aprisionar.
Porque há uma grande diferença entre manter a essência
e se recusar a crescer.
Mudar não é se perder.
É amadurecer.
É reconhecer que algumas atitudes, mesmo que habituais, ferem.
É aceitar que evoluir não é se apagar — é se lapidar.
Mas quem aprendeu a nunca ceder,
a não demonstrar afeto,
a desconfiar do cuidado do outro,
costuma viver armado(a), em permanente estado de defesa.
E o que era pra ser liberdade de ser quem se é,
acaba se tornando uma prisão de comportamentos repetidos,
reações frias, decisões solitárias.
Porque a verdade é:
quem se recusa a mudar por ninguém,
acaba sem ninguém com quem compartilhar o que é.
Relações saudáveis não pedem submissão,
mas sim disposição para construir junto.
E isso inclui rever ideias, acolher sentimentos, ajustar o que fere.
Mudar não é se curvar.
É se permitir florescer com o outro — sem deixar de ser raiz.
