Nem toda ferida vem de um grito.
Às vezes, ela nasce de uma frase dita com frieza.
De uma ironia.
De uma indiferença disfarçada de racionalidade.
“Você tá exagerando.”
“Não é pra tanto.”
“Já vai começar de novo?”
Frases que parecem pequenas.
Mas que, quando repetidas, criam rachaduras onde antes havia confiança.
Palavras assim não levantam a voz,
mas diminuem o outro.
Não causam escândalo,
mas silenciam o sentir de quem só queria ser acolhido(a).
E o mais cruel é que quem diz, muitas vezes, não percebe.
Segue o dia como se nada tivesse acontecido.
Enquanto do outro lado alguém está tentando costurar por dentro
o que foi rasgado com uma frase aparentemente “inofensiva”.
O que se diz importa.
Mas o que se repete, se instala.
E a repetição dessas palavras secas, impacientes ou debochadas
acaba ensinando o outro a calar.
A não trazer mais o que sente.
A guardar.
A se afastar.
Consciência emocional é também rever o vocabulário.
É perceber que algumas palavras, mesmo suaves no tom,
carregam o peso de um abandono emocional.
E que o respeito não mora só no que se fala
mas no cuidado de como isso é dito,
e na responsabilidade de sustentar o que se causa.
