Nem todo silêncio é ausência.
Às vezes, é exatamente o contrário —
é a presença inteira de alguém que já tentou de todas as formas ser ouvido
e não foi.
O silêncio, quando vem depois de tantas tentativas,
não é frieza, nem jogo emocional.
É proteção.
É o limite final de quem já falou com palavras, olhares, pausas e súplicas —
e mesmo assim foi ignorado.
Há um tipo de silêncio que não é desistência.
É lucidez.
É quando você entende que não há mais ponte,
e que insistir seria se ferir ainda mais.
É o silêncio que revela:
“Eu quis o diálogo. Você preferiu o domínio.”
“Eu me expus. Você me calou.”
“Eu tentei. Mas não dá pra dançar sozinho.”
E então, você escolhe não mais explicar.
Não porque deixou de sentir,
mas porque escolheu não se abandonar.
Esse silêncio não afasta.
Ele protege.
Ele recolhe a alma em um espaço onde ainda existe dignidade.
Porque quem escolhe o silêncio depois de ser ignorado,
não está punindo ninguém
está finalmente se escutando.
