Há pessoas que vivem o amor com verdade.
Não amam pela metade.
Quando chegam, trazem o coração inteiro — o cuidado, o tempo, a escuta, o esforço.
Constroem. Estão presentes. Fazem o melhor que podem com o que têm.
E por isso mesmo, quando algo machuca, a dor não é pequena.
Porque não foi pequeno o que foi investido.
Quando algo quebra, é como se quebrasse por dentro também.
Mas há uma força silenciosa em quem sente fundo.
Em quem não se contenta com vínculos frágeis.
Em quem percebe que insistir onde não há reciprocidade é o mesmo que se abandonar aos poucos.
Essas pessoas não fazem barulho.
Não precisam provar nada.
Elas apenas se recolhem — e nesse recolhimento, começam a se curar.
Elas não viram pedra.
Não endurecem por fora.
Mas aprendem a se proteger por dentro.
Mesmo quando ainda estão no mesmo espaço, no mesmo cômodo, na mesma espera,
já começaram a partir.
Não por orgulho.
Mas por amor-próprio.
Porque compreenderam que continuar calando para manter a paz é construir uma prisão.
E que amor de verdade não fere de propósito, não repete o que machuca, não se recusa a escutar.
Quem é inteiro(a) mesmo quando está ferido(a)
carrega uma coragem rara: a de seguir em frente sem perder a essência.
A de continuar amando o que é bonito — mesmo depois de ter sido ferido(a) onde era mais sensível.
Essa pessoa não fecha o coração.
Mas aprende a não deixá-lo em mãos que não sabem cuidar.
E isso não é fraqueza.
É maturidade.
É escolha consciente.
É a força de quem, mesmo machucado(a), ainda sabe se reconhecer.
