Escutar é um gesto de amor que não faz barulho.
É dar espaço para que o outro exista por inteiro —
com suas pausas, confusões, medos e emoções.
Não se trata de responder rápido.
De interromper para argumentar.
De esperar sua vez de falar.
Trata-se de estar ali, de corpo presente e alma desperta,
mesmo que você não entenda tudo o que está sendo dito.
Porque escutar não é sobre ter todas as respostas.
É sobre ser abrigo enquanto o outro tenta organizar o que sente.
Muitas vezes, a pessoa só precisa ser ouvida.
Sem julgamento.
Sem comparação.
Sem pressa de corrigir ou racionalizar.
Apenas ser ouvida.
Mas isso se perdeu em muitas relações.
Hoje, as pessoas ouvem com o pensamento em outro lugar.
Ou respondem com frases prontas.
Ou se defendem no meio de uma dor que não era sobre elas.
E então, o vínculo se rompe — não por falta de afeto,
mas por excesso de ausência disfarçada de presença.
Escutar com verdade é um dos maiores atos de cuidado.
É dizer com silêncio: “estou aqui, me importo, você tem espaço.”
E quando isso falta, o outro vai se calando.
Vai guardando.
Vai sumindo aos poucos.
Até que o barulho da ausência se torna maior do que qualquer conversa.
Escutar é presença.
É respeito.
É entrega.
E quem escuta com o coração, nunca volta igual.
Porque ao acolher o outro, também se torna mais inteiro(a) por dentro.
