Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Prisões invisíveis: quando os laços se tornam correntes

Nem sempre percebemos, mas às vezes estamos presos.

Não por grades.

Não por portas trancadas.

Mas por padrões que se repetem.

Por vínculos que nos ferem mais do que acolhem.

Por emoções que insistem em nos dominar.

Há um tipo de prisão que não se vê — mas se sente.

Ela se esconde nos vícios emocionais, na dependência de um afeto que desequilibra, nos desejos que nos tomam por inteiro, nas relações que nos pedem tudo… e nos devolvem quase nada.

E o mais assustador é que, muitas vezes, somos nós mesmos que construímos essas celas. Tijolo por tijolo.

Com medo de perder, de ficar só, de não sermos suficientes.

Com apego ao que já foi, ao que quase é, ao que poderia ter sido.

Mas chega uma hora em que o corpo fala.

A alma sussurra.

E a vida nos convida a olhar com mais honestidade:

De que forma estou sendo dominado(a)?

Por impulsos?

Por expectativas que não são minhas?

Por apegos que já perderam o sentido?

Esse é o desafio:

Reconhecer as prisões silenciosas.

Perceber onde entregamos nosso poder.

E, pouco a pouco, recuperar a liberdade de ser.

Porque libertar-se não é um ato brusco.

É um movimento delicado de retorno.

De presença.

De amor próprio.

Talvez você não consiga mudar tudo agora.

Mas talvez, só por hoje, você possa respirar mais fundo e dizer a si mesmo(a):

“Eu mereço algo mais leve.”

E esse pensamento já é uma fresta.

Por onde a luz começa a entrar.

2 comentários em “Prisões invisíveis: quando os laços se tornam correntes”

Deixe um comentário