Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Não é fraqueza. É cansaço da alma

Nem todo cansaço vem do corpo.

Às vezes, é a alma que está exausta.

Exausta de tentar manter tudo em pé.

Exausta de sorrir quando na verdade queria chorar.

Exausta de dar conta — sempre — de tudo e de todos.

Esse cansaço é mais silencioso. Ele não grita. Ele vai apagando aos poucos.

Apaga a vontade. Apaga a cor. Apaga até o prazer nas coisas que antes faziam sentido.

E então vem a culpa.

“Mas eu tenho tanto pra agradecer…”

“Tem gente passando por coisas piores…”

“Eu não posso me permitir parar…”

Mas precisa parar, sim. Precisa respirar, sentir, se escutar.

Porque não é fraqueza.

É um chamado. Um limite alcançado. Um pedido do corpo, da mente, do espírito:

“por favor, me olha com mais cuidado.”

O mundo não ensina isso.

Ele ensina a seguir, produzir, mostrar força.

Mas a verdadeira força está, muitas vezes, em reconhecer a própria vulnerabilidade.

Em pedir ajuda. Em não esconder o que dói.

Cansaço da alma não se cura com agenda cheia.

Se cura com gentileza.

Com silêncio.

Com verdade.

E com tempo.

O tempo necessário para lembrar que ainda existe luz

mesmo quando tudo parece escuro por dentro.

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