Nem todo cansaço vem do corpo.
Às vezes, é a alma que está exausta.
Exausta de tentar manter tudo em pé.
Exausta de sorrir quando na verdade queria chorar.
Exausta de dar conta — sempre — de tudo e de todos.
Esse cansaço é mais silencioso. Ele não grita. Ele vai apagando aos poucos.
Apaga a vontade. Apaga a cor. Apaga até o prazer nas coisas que antes faziam sentido.
E então vem a culpa.
“Mas eu tenho tanto pra agradecer…”
“Tem gente passando por coisas piores…”
“Eu não posso me permitir parar…”
Mas precisa parar, sim. Precisa respirar, sentir, se escutar.
Porque não é fraqueza.
É um chamado. Um limite alcançado. Um pedido do corpo, da mente, do espírito:
“por favor, me olha com mais cuidado.”
O mundo não ensina isso.
Ele ensina a seguir, produzir, mostrar força.
Mas a verdadeira força está, muitas vezes, em reconhecer a própria vulnerabilidade.
Em pedir ajuda. Em não esconder o que dói.
Cansaço da alma não se cura com agenda cheia.
Se cura com gentileza.
Com silêncio.
Com verdade.
E com tempo.
O tempo necessário para lembrar que ainda existe luz
mesmo quando tudo parece escuro por dentro.
