Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

A História do Dia em que a Imaginação Desapareceu

(Por Lila Pipoca — agora crescida, mas ainda cheia de sonhos)

Era uma vez um dia silencioso. Silencioso por dentro, onde antes tudo era barulho bom — ideias pulando, cenas coloridas, palavras querendo virar poema. Mas naquele dia… nada.

A imaginação tinha desaparecido.

Lila Pipoca, agora uma adulta que ainda guardava confetes no bolso e estrelas nos olhos, tentou de tudo. Abriu livros, rabiscou cadernos, olhou para o céu esperando que alguma nuvem soprasse uma história. Nada.

Foi aí que ela percebeu: a imaginação não se perdeu. Só estava descansando.

Porque até mesmo as estrelas dormem. Até mesmo os ventos param. Até mesmo o coração precisa de silêncio para escutar algo novo.

Naquele dia, Lila não escreveu, não desenhou, não criou. Apenas sentou-se no chão, fez um chá bem quente e ouviu o mundo do lado de dentro. Era como entrar em um quarto escuro e segurar a mão de alguém invisível.

Ela entendeu, enfim, que a imaginação não era uma fonte que jorrava o tempo todo. Era um rio. E rios têm curvas, pausas, profundezas que ninguém vê da superfície.

Quando ela parou de procurar, a imaginação voltou — não como um trovão, mas como uma brisa. Suave, fiel, viva.

E desde então, Lila nunca mais teve medo do vazio. Porque aprendeu que até o silêncio conta histórias.

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