Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Nem todos estão prontos para deixar o passado no passado

Há momentos em que uma nova chance bate à porta —

uma conversa se abre, um reencontro acontece, um gesto de reconciliação é oferecido.

Mas, mesmo assim, algo dentro ainda se fecha.

Nem sempre é por orgulho.

Às vezes, é por proteção.

Porque deixar o passado no passado exige coragem.

Exige olhar para a dor de frente, reconhecer o que machucou, soltar o controle sobre o que não pode mais ser mudado.

E isso, para alguns corações, ainda é demais.

Há pessoas que precisam segurar firme a mágoa porque ela dá sentido ao que viveram.

Ela justifica o afastamento, sustenta uma narrativa, preenche o vazio com alguma forma de certeza — ainda que amarga.

Perdoar, seguir em frente, recomeçar…

Pode parecer simples do lado de fora.

Mas por dentro, é um processo complexo, íntimo, muitas vezes silencioso.

É um luto do que se esperava que fosse.

É um desprender-se daquilo que já foi revivido mil vezes na memória.

E está tudo bem ainda não estar pronto.

Está tudo bem se ainda for preciso tempo.

Só é importante reconhecer: a permanência no passado tem um preço.

Ela impede que o novo aconteça.

Que relações se renovem.

Que a paz encontre espaço para habitar.

Ficar preso ao que machucou pode parecer mais seguro — mas, no fundo, é também uma prisão.

E a chave está dentro.

Está no momento em que você decide que não quer mais alimentar a dor, mas abrir espaço para algo diferente.

Não há pressa.

Mas há escolha.

E quando estiver pronto, o caminho ainda pode estar ali — talvez mais silencioso, talvez mais distante, mas possível.

O passado não precisa ser esquecido.

Mas ele também não precisa ser o lugar onde você permanece para sempre.

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