Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Nem toda reconciliação será como esperamos

Às vezes, quando olhamos para uma relação partida, sonhamos com um final bonito. Um reencontro com lágrimas nos olhos, abraços demorados e silêncios que dizem mais do que palavras. Sonhamos com um “estamos bem” que devolva a sensação de pertencimento, de laço, de recomeço.

Mas a vida real não segue roteiros — e as pessoas, muitas vezes, não caminham ao mesmo ritmo que nossa esperança.

Nem toda reconciliação vem com laço de fita.

Às vezes, o reencontro revela que ainda há mágoa, que os gestos não se encontram mais no meio do caminho, que o tempo afastou não só os corpos, mas as visões de mundo. Às vezes, a tentativa de aproximação só confirma que há corações que não se ouvem mais, nem mesmo em silêncio.

E, por mais doloroso que seja, há beleza em reconhecer isso com maturidade.

Há dignidade em estender a mão mesmo sem saber se ela será segurada.

Há amor em tentar — e há sabedoria em aceitar quando não é possível reconstruir.

Porque paz, nesse caso, não significa voltar a ser como antes.

Significa saber que fizemos o que estava ao nosso alcance. Que agimos com verdade, com presença, com o coração limpo.

O resto… já não depende de nós.

E isso também é liberdade: libertar-se da ideia de que todas as histórias precisam de um final feliz para fazer sentido.

Às vezes, só precisam de um final em paz.

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