É nobre tentar unir. É bonito insistir no amor, costurar laços, reabrir caminhos, acreditar que a escuta pode curar e que o afeto é capaz de refazer o que se quebrou.
Mas nem toda tentativa encontra eco.
E chega um momento em que é preciso se perguntar, com honestidade e ternura: isso ainda me nutre — ou só me fere?
Sim, é possível ser ponte.
Mas não se pode ser chão — especialmente quando o outro caminha sobre você sem cuidado.
Ser ponte é abrir passagem. Ser chão, quando há descuido, é aceitar o peso de quem não quer caminhar ao seu lado, mas sobre você.
Maturidade emocional não é desistir das pessoas — É não desistir de si.
É compreender que, por mais que se ame, por mais que se deseje ver harmonia, há limites que preservam nossa dignidade. Há silêncios que protegem nossa paz. E há relações que, para existirem com leveza, precisam de espaço… ou de distância.
Retirar-se com serenidade é um ato de autocuidado.
É a escolha de não continuar em cenários que adoecem a alma.
É entender que sua presença é valiosa demais para ser desperdiçada em lugares onde não há reciprocidade, respeito ou escuta verdadeira.
Você pode seguir desejando o bem, torcendo por reconciliações, abrindo o coração —
Mas também pode fechar a porta quando a insistência em ficar começa a custar a sua própria paz.
Porque amor saudável não exige sacrifício de si.
E maturidade é saber o tempo de amar de perto, o tempo de amar de longe —
E o tempo de apenas se amar.
