É curioso perceber que a evolução pessoal nem sempre caminha ao lado da idade.
Existem pessoas mais velhas que acumulam anos, mas não necessariamente sabedoria.
E isso não é uma crítica — é uma constatação sensível de que o tempo, por si só, não ensina.
Quem aprende é quem escolhe olhar para dentro.
Há quem viva repetindo padrões, revivendo mágoas, resistindo a mudar.
Gente que passou por muita coisa, mas não passou por si mesma.
Gente que olha o mundo com dureza porque nunca teve coragem de olhar as próprias feridas com gentileza.
E o mais difícil: há quem confunda evolução com imposição.
Pessoas que não escutam, apenas falam.
Que não dialogam, apenas esperam ser validadas.
Elas não querem compreender — querem ter razão.
Não querem trocar — querem que sua verdade seja aceita como verdade absoluta.
Mas a verdade é mais delicada do que isso.
Ela é feita de pontos de vista, de experiências, de dores que moldam percepções.
O que é verdade para um, pode não ser para o outro — e tudo bem.
O problema começa quando alguém se recusa a aceitar essa pluralidade e se fixa na ilusão de que maturidade é impor sua visão como regra.
Evoluir é justamente o oposto disso.
É entender que não sabemos tudo.
É acolher a possibilidade de estar errado.
É reconhecer que o outro tem uma história que também merece ser escutada.
Crescimento não está na idade — está na abertura.
Na disposição para refletir, revisar, mudar.
Está em saber que ser maduro não é sobre controlar narrativas, mas sobre respeitar versões.
Se o tempo passa, mas a consciência não acompanha, o que envelhece é só o corpo.
A alma, essa continua presa em ciclos que se repetem até que alguém — finalmente — decida aprender.
