Algumas pessoas não buscam reconciliação — buscam validação.
Não querem encontrar paz, querem provar um ponto.
E há quem insista em manter a dor acesa como se ela fosse uma espécie de identidade: um lugar conhecido, mesmo que desconfortável, onde podem se sentir no controle.
Essa repetição de feridas não é aleatória.
Ela revela o que ainda pulsa, o que ainda arde, o que ainda não foi digerido.
A insistência em reviver o conflito mostra o que não foi acolhido internamente — porque o que é verdadeiramente curado, não grita mais.
Alguns usam o passado como âncora.
Permanecem presos a um momento, a uma frase, a um gesto… como se aquilo definisse toda a narrativa de uma relação. E, ao invés de abrirem espaço para o novo, preferem repetir as cenas antigas — como se a dor fosse um argumento eterno.
Mas reviver o que já machucou não aproxima.
Afasta.
Faz com que os outros se retraiam, se protejam, se afastem para respirar.
É importante lembrar que nem toda conversa precisa ser retomada.
Nem toda mágoa precisa ser explicada de novo.
Às vezes, o verdadeiro remédio está no silêncio — não o silêncio que nega, mas o que acolhe o que já não precisa mais ser dito.
E quando o outro insiste em reabrir uma ferida que você já cuidou em si, o mais sábio pode ser recuar.
Não por fraqueza — mas por amor-próprio.
Por paz.
Por respeito ao processo que você percorreu para cicatrizar.
Algumas pessoas não precisam de debate.
Precisam de tempo.
E talvez, de distância.
Porque paz também é proteger o que está em paz de quem ainda não aprendeu a viver fora do conflito.
E isso não é frieza — é maturidade emocional.
A cura, às vezes, é escolher não participar mais da dor que não é mais sua.
