Há quem acredite que trair só acontece quando o corpo cruza um limite.
Mas a verdade é que a infidelidade pode começar bem antes do contato físico —
no olhar que procura o que já deveria ter escolhido,
nas conversas escondidas,
nos interesses que se desviam e depois são justificados como “nada demais”.
Traição também é dar atenção que não se dá em casa.
É buscar validação fora enquanto deixa de cuidar do vínculo dentro.
É seguir alguém nas redes, responder com intenção, flertar sob o disfarce do “é só amizade”.
É prometer exclusividade com palavras e entregar disponibilidade com atitudes.
É dizer “eu te amo” pela manhã e passar a noite alimentando outras conexões —
como se fidelidade fosse só uma questão de geografia.
Mas lealdade é mais do que presença física.
É integridade mesmo quando ninguém está vendo.
É respeitar o espaço do outro mesmo nos pequenos gestos.
É manter o vínculo limpo — inclusive nas entrelinhas.
