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Assumir a responsabilidade — sem carregar a culpa do outro

É natural buscar explicações quando algo dói.

A gente se pergunta onde errou, o que poderia ter feito diferente, como evitar ter se ferido.

Mas há situações em que, por mais que a gente revise todos os detalhes, a verdade é simples (e difícil):

foi o outro que agiu mal.

E mesmo assim… sobra em nós o estrago.

A dúvida. A mágoa. A reconstrução.

Nessas horas, é tentador viver no papel de quem só apanhou da vida.

Mas, com o tempo, essa posição vira armadilha.

A dor fica confortável demais.

A raiva vira identidade.

E o que fizeram conosco passa a definir quem somos.

É aí que entra a virada silenciosa e poderosa:

assumir responsabilidade não pelo que fizeram — mas pelo que faremos com isso.

Não é sobre perdoar rápido.

Não é sobre fingir que está tudo bem.

É sobre dizer a si mesmo:

Eu não escolhi ser ferido, mas escolho como vou me curar.

Eu não tive culpa, mas tenho poder.

Eu não controlo os atos do outro, mas posso escolher não deixar que isso defina minha história.

Assumir responsabilidade não é leve.

É deixar de esperar o pedido de desculpas que talvez nunca venha.

É abrir mão da fantasia de que um dia o outro vai “entender” e reconhecer tudo.

É olhar pra si com honestidade e perguntar: o que eu preciso agora para seguir em paz?

Porque o que fizeram com você pode ter sido cruel, injusto, errado.

Mas continuar carregando isso como uma sentença só te prende mais.

E você merece ser livre.

Você já viveu algo que exigiu esse tipo de escolha?

De seguir sem reparação.

De crescer mesmo ferido.

De construir paz com as próprias mãos.

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