Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Por que sempre vejo horas iguais ou invertidas?

“Olha lá, ela viu de novo.”

Já virou piada entre os mais próximos.

Eu olho o relógio e — como num ritual invisível — lá está: 11:11, 22:22, 12:21.

Não sei se é sorte, sincronicidade ou só uma coincidência poética… mas acontece.

E acontece tanto que deixou de ser só uma hora qualquer — virou símbolo.

De quê exatamente, eu não sei ao certo.

Mas tem algo de mágico nisso.

Como se o tempo me piscasse o olho.

Como se o universo dissesse: “Estou aqui. Você também está.”

Talvez seja só uma brincadeira do acaso.

Talvez seja meu olhar buscando sentido no meio do dia comum.

Mas confesso: gosto dessa sensação de que existe mais entre os ponteiros do que a gente imagina.

Como se as horas iguais fossem pequenos bilhetes secretos deixados pelo tempo.

E toda vez que acontece, eu paro um segundo.

Fecho os olhos por dentro.

E escuto:

— Tá tudo bem. Você está no caminho.

Mesmo que o caminho esteja cheio de dúvidas.

Mesmo que eu não saiba exatamente para onde ele vai.

Tem coisas que não precisam de explicação.

Só de presença.

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