Vivemos tempos em que tudo precisa de um nome, um diagnóstico, uma solução imediata. Existe uma pressa coletiva em resolver, em “ficar bem”, em seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas e se nem tudo precisar ser consertado?
E se algumas coisas só precisarem ser sentidas?
Nem toda dor precisa de explicação. Nem toda confusão precisa ser desfeita. Às vezes, o verdadeiro alívio vem quando paramos de tentar remendar o que nos atravessa e apenas respiramos dentro do que sentimos. Com presença. Com honestidade.
Aceitar não é desistir — é libertar-se da exigência de entender tudo. É dizer: isso me doeu, mas eu não preciso saber o porquê agora. É confiar que a vida também se reorganiza quando a gente solta.
Há uma sabedoria silenciosa em permitir que o tempo cuide do que ainda não conseguimos tocar com clareza. Em não forçar curas que ainda não chegaram. Em seguir mesmo com um pedaço em silêncio dentro da gente.
Sentir, aceitar e seguir…
É uma forma de amor-próprio.
É um jeito de respeitar os próprios processos.
É lembrar que viver bem não é resolver tudo — é sentir com inteireza, mesmo que ainda haja perguntas sem resposta.
E isso, por si só, já é um passo inteiro.
Porque sentir também é sabedoria.
E seguir, mesmo sem consertar tudo, é um ato de coragem mansa.
