Nem tudo o que alivia, cura.
Nem tudo o que conforta, liberta.
Às vezes, o que parece prazer é só anestesia.
Às vezes, o que parece familiar é só o medo disfarçado de rotina.
Há hábitos, relações, escolhas que a gente mantém por parecerem inofensivos — ou até bons. Mas, no fundo, são como correntes invisíveis: não machucam por fora, mas nos mantêm parados por dentro.
Pode ser aquele vício em agradar todo mundo.
Pode ser o consumo desenfreado disfarçado de “me mimo porque mereço”.
Pode ser a zona de conforto que virou zona de estagnação.
Pode ser aquele relacionamento que traz mais silêncio interno do que presença.
Pode ser até o trabalho que garante segurança, mas rouba vida.
É difícil encarar que o que hoje alivia, amanhã pode adoecer.
Mas essa pergunta é essencial: isso aqui me move ou me prende?
Me expande ou me limita?
A liberdade, muitas vezes, começa com o desconforto de enxergar o que já não cabe mais — mesmo que ainda pareça confortável.
E aí, talvez, seja hora de escolher a leveza que desafia, em vez da segurança que aprisiona.
