Chega um momento na vida em que a gente percebe que se doou demais.
Para os filhos, para o relacionamento, para a casa, para os outros. A gente se dedicou tanto, que foi se deixando por último. Sempre depois. Sempre na espera de um reconhecimento que nunca veio do jeito que o coração pedia.
A verdade é que nem sempre quem recebe o nosso melhor entende o valor do que está recebendo.
Às vezes, os próprios filhos, que criamos com amor, se tornam distantes, indiferentes, como se tudo o que fizemos fosse apenas obrigação. Às vezes, o parceiro (ou parceira), por quem tanto lutamos, simplesmente não enxerga mais a pessoa que esteve ali em silêncio, segurando tudo enquanto tudo desmoronava.
E então, vem a dor da ingratidão. O vazio da falta de escolha. Quando você percebe que, por mais que tenha se entregado, ninguém te escolheu de volta.
É nesse momento, quando tudo parece ruir, que nasce uma decisão: escolher a si mesmo.
Não por egoísmo. Mas por sobrevivência.
Porque você também importa. Porque seu cuidado não pode depender do olhar alheio. Porque há vida dentro de você que merece florescer, mesmo que ninguém a regue.
Escolher-se é um ato de coragem. De reconstrução. É entender que você não é menos mãe, menos companheira, menos pessoa por se colocar no centro da própria existência. Pelo contrário: é aí que você começa, de verdade, a viver por inteiro.
Não é tarde demais. Nunca é.
Você ainda está aqui. E você se basta para recomeçar.
