Não é a gente que escolhe.
Às vezes, é o passarinho que pousa perto.
O gato que te encara como se te conhecesse há vidas.
O cãozinho que deita aos seus pés sem pedir nada.
Até os grandes, os que a gente acha que nunca notariam.
Eles não sabem das suas rotinas, nem das suas perguntas.
Mas sentem.
Sentem quando o peito está mais aberto.
Quando a alma está mais silenciosa.
Quando você, mesmo sem perceber, está pedindo uma conversa sem palavras.
Os animais não cobram, não julgam, não analisam.
Eles se aproximam porque reconhecem — no seu cheiro, no seu tom, no seu silêncio — que ali tem espaço para ser simples.
Talvez você esteja mais conectado (a) com você mesmo (a).
Ou talvez esteja mais vulnerável, mais verdadeiro (a).
E eles sabem. Sabem antes de você saber.
Quando um animal vem até você, não é só por comida.
É um jeito discreto do mundo dizer:
“Eu estou aqui. Eu te vejo. Ainda existe ternura.”
E, no fundo, você também sabia. Só tinha esquecido de lembrar.
