Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Quando os animais nos escolhem

Não é a gente que escolhe.

Às vezes, é o passarinho que pousa perto.

O gato que te encara como se te conhecesse há vidas.

O cãozinho que deita aos seus pés sem pedir nada.

Até os grandes, os que a gente acha que nunca notariam.

Eles não sabem das suas rotinas, nem das suas perguntas.

Mas sentem.

Sentem quando o peito está mais aberto.

Quando a alma está mais silenciosa.

Quando você, mesmo sem perceber, está pedindo uma conversa sem palavras.

Os animais não cobram, não julgam, não analisam.

Eles se aproximam porque reconhecem — no seu cheiro, no seu tom, no seu silêncio — que ali tem espaço para ser simples.

Talvez você esteja mais conectado (a) com você mesmo (a).

Ou talvez esteja mais vulnerável, mais verdadeiro (a).

E eles sabem. Sabem antes de você saber.

Quando um animal vem até você, não é só por comida.

É um jeito discreto do mundo dizer:

“Eu estou aqui. Eu te vejo. Ainda existe ternura.”

E, no fundo, você também sabia. Só tinha esquecido de lembrar.

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