Com o tempo — ou talvez com a maturidade — algo dentro da gente começa a mudar.
A pressa perde força.
A revolta contra o que não controlamos se aquieta.
E, aos poucos, a gente aprende a olhar para as coisas simples com mais profundidade.
O sol que nasce já não é só mais um dia.
É uma presença que aquece, ilumina, e nos convida a estar ali, mesmo que em silêncio.
Os cães que cruzam o caminho não são só animais.
São encontros que nos lembram do afeto puro, do toque sem pressa, do olhar que não julga.
O mar, o vento, a terra — tudo parece falar mais alto quando a mente resolve escutar mais baixo.
Não é que os problemas desapareçam.
É que a forma de caminhar por eles muda.
Existe uma aceitação que não vem da resignação, mas da consciência de que lutar contra a maré não faz a maré mudar.
É sobre caminhar junto ao processo.
Sobre entender que cada dificuldade tem seu ritmo, seu tempo, seu porquê — mesmo quando não enxergamos ainda.
A natureza tem me ensinado a abraçar esse fluxo.
Sem fórmulas, sem promessas.
Apenas pela presença.
E talvez esse seja o verdadeiro aprendizado da maturidade:
aceitar, sentir, continuar.
