Caminhos da Escuta Interior

O que sua inquietação está tentando dizer?

Vivemos em um mundo onde o ruído é constante.
Notificações, opiniões, comparações.
Tudo parece querer a nossa atenção ao mesmo tempo.

Mas, no meio desse barulho, existe uma inquietação silenciosa, quase imperceptível, que vai crescendo devagar.
É discreta.
É sutil.
Mas está ali.

Não é fácil ouvir essa voz interna.
Ela não grita.
Não se impõe.
Ela sussurra.

E, muitas vezes, é no desconforto que ela aparece.

Naquela ansiedade sem motivo claro.
Naquele cansaço que não se explica em tarefas.
Naquela vontade de se recolher sem saber exatamente por quê.

Esses sinais não são aleatórios.
Eles são convites.
Chamados para olhar mais fundo.

Mas temos o hábito de reagir ao desconforto com pressa de resolver.
Tomamos um café para “despertar”.
Ligamos a televisão para distrair.
Rolamos infinitamente a tela para esquecer.

E, assim, adiamos a escuta.

Só que a inquietação não some.
Ela espera.
Com paciência, ela continua ali, pedindo algo muito simples:
Reconhecimento.

Ela não exige respostas imediatas.
Ela pede presença.

Às vezes, tudo o que a inquietação quer é ser notada.
Como uma criança que puxa a barra da nossa roupa, pedindo um olhar.

Quando a ignoramos, ela insiste.
Quando a escutamos, ela acalma.

Hoje, se puder, experimente não fugir desse incômodo.
Não tente abafar, resolver, correr.
Apenas pergunte:
“O que você está tentando me dizer?”

E depois, ouça.
Sem pressa.
Sem expectativa de uma resposta grandiosa.
Apenas ouça.

Essa escuta pode ser o começo de uma transformação silenciosa.
Uma reconexão com o que você realmente sente, com o que realmente importa.

Porque, no fim das contas, a inquietação não é inimiga.
Ela é bússola.
Ela aponta para algo que precisa de atenção — e que só você pode dar.

E isso, por si só, já é um gesto profundo de autocuidado.

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