Há dias em que o cansaço não se explica em tarefas.
É um peso diferente. Não pesa nos braços nem nas pernas, mas se aloja no peito, na mente, na alma.
E, por mais que exista o desejo de largar tudo — de simplesmente deixar para trás as preocupações, as culpas, as expectativas — nem sempre isso é possível.
A vida real não tem um botão de desligar as demandas externas.
Mas há um caminho sutil, muitas vezes esquecido: transformar peso em palavra.
Sim, dar nome ao que se sente.
Sem florear, sem minimizar.
Às vezes basta dizer (nem que seja para si mesmo): “Isso me dói”, “Isso me pesa”, “Isso me preocupa”.
Essa pequena coragem de reconhecer o que existe já traz um alívio inesperado.
E quando a palavra não vem, o gesto pode ajudar:
Uma respiração mais profunda. Uma pausa de cinco minutos sem culpa. Um movimento leve que recorde ao corpo que ele não é só esforço.
Cada pequena ação é uma forma de aliviar.
Porque o que se reconhece não precisa mais ser carregado sozinho.
E assim, aos poucos, o peso se redistribui.
Transforma-se.
Suaviza-se.
Pode ser que ele não desapareça de imediato.
Mas já não sufoca da mesma forma.
Já não isola.
Afinal, todo peso dividido entre palavras, gestos e respiros se torna mais leve de se carregar.
