Há coisas que a gente não diz, mas carrega.
Um “tudo bem” que disfarça o cansaço.
Um sorriso automático que esconde a vontade de desaparecer por umas horas.
Um “sem novidades” que economiza explicações longas demais.
E assim, aos poucos, vamos nos enchendo de camadas invisíveis.
Acumulando o que não coube em palavra.
Não é exagero.
É humano.
O mundo anda depressa.
Nem sempre há tempo — ou espaço — para abrir as malas emocionais.
Mas saiba:
O que não é dito pesa.
O que não é mostrado também conta.
É por isso que, às vezes, o corpo cansa sem um porquê.
A mente trava sem motivo claro.
O peito aperta sem explicação lógica.
Talvez hoje seja um bom dia para não carregar tudo sozinho.
Falar um pouco.
Escrever um pouco.
Ou simplesmente admitir:
“Eu sinto isso.”
Dar nome ao que dói já é um começo.
E se hoje não for dia de desabafar, tudo bem.
Mas não finja que não sente.
Sentir também é um verbo de ação, mesmo em silêncio.
Que ao menos você se dê um lugar para existir inteiro —
sem disfarces, sem pressa, sem se podar.
Nem todo peso precisa ser aliviado agora.
Mas todo sentir merece ser acolhido.
Por você, primeiro.
