Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

A história que nos marca, mas não nos define

A música “Minha História” fala de algo que muita gente sente, mas nem sempre consegue dizer em voz alta:

o peso de ter vindo de um abandono.

O que é crescer com perguntas sem resposta.

O que é carregar um nome, uma origem, uma memória, como se fosse uma marca que o mundo enxerga antes mesmo de saber quem você é.

A mãe, que embala o filho com cantigas de cabaré porque não sabe acalantos, mostra uma verdade crua:

a gente dá ao outro aquilo que tem.

Mesmo que não seja o ideal, mesmo que seja o pouco.

E esse pouco, às vezes, é tudo o que salva.

Mas a dor do abandono é silenciosa e longa.

Não é sobre sentir pena.

É sobre entender como certas ausências moldam a forma como a gente se vê.

Só que essa música também fala de resiliência, mesmo sem dizer essa palavra.

Porque, no fim, o “menino Jesus” que todos viam como marginal, continuava ali.

Vivo.

Carregando sua história no nome, mas não se resumindo a ela.

Quantas vezes tentaram te dizer quem você é, baseado no que você viveu?

Quantas vezes olharam para a sua história como se ela fosse um carimbo que define tudo?

Mas há uma verdade mais profunda:

o que te aconteceu explica muita coisa, mas não determina para onde você vai.

Você pode ter vindo de um lugar de abandono, de solidão, de desprezo.

Mas você também tem o poder de escrever outras páginas.

A música é triste. É real.

Mas também é um lembrete:

Você é mais do que a história que te deram.

Você é o que faz com ela.

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