Depressão não é tristeza passageira.
Não é desânimo de um dia ruim.
É um cansaço da alma que se arrasta, mesmo quando tudo parece “normal” por fora.
A solidão que vem com ela não é estar sem pessoas ao redor.
É sentir-se invisível, desconectado, mesmo cercado de gente.
É olhar para o mundo como quem vê pela janela: do lado de fora.
O isolamento começa aos poucos.
Primeiro você se afasta porque não quer incomodar.
Depois, porque ninguém parece entender.
E quando percebe, o silêncio vira um escudo.
Um muro invisível entre você e o resto do mundo.
O mais cruel é que, de fora, muitos não enxergam.
Acham que é frescura. Falta de força. Falta de fé.
Mas quem vive isso sabe: não é uma escolha.
Mas há caminhos para curar.
E não, não é simples.
Não é rápido.
Mas é possível.
A cura começa quando você permite que alguém se aproxime.
Pode ser um profissional, um amigo, até uma palavra que chega na hora certa.
É entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.
É coragem.
É um passo em direção a si mesmo.
Cura não é voltar a ser quem você era antes.
É se reconstruir com mais verdade, mais gentileza consigo.
E cada pequeno gesto conta:
Sair para tomar um pouco de sol. Fazer uma caminhada curta. Desabafar sem medo de ser julgado. Buscar ajuda profissional. Dizer: “Hoje está difícil” — e ser acolhido nisso.
Aos poucos, o isolamento cede espaço à conexão.
Aos poucos, a solidão se torna menos pesada.
Aos poucos, você volta a sentir que existe.
Que importa.
Porque a dor não desaparece de um dia para o outro.
Mas ela diminui quando você deixa de carregá-la sozinho.
Você não é a sua depressão.
Você não é a sua solidão.
Você é muito mais do que esse momento difícil.
E você merece ser cuidado, escutado, respeitado.
