Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

O Dia em Que Lila Ficou Toda Molhada por Dentro

Lila Pipoca acordou sem querer acordar.

Seu travesseiro parecia mais pesado do que de costume — talvez por causa das lágrimas que ela nem lembrava de ter chorado.

Pipoca, a joaninha, chegou bem devagar.

Não disse nada. Só sentou pertinho.

As asinhas dela estavam meio caídas também.

Às vezes até joaninhas sentem.

— Hoje eu tô molhada por dentro — sussurrou Lila.

Pipoca só assentiu.

Ela sabia que tinha dias assim.

Dias em que o sol não saía de dentro da gente.

Lila ficou deitada um tempão.

O chapéu de bolinhas nem quis sair da prateleira.

A bolsinha mágica também ficou quietinha no canto.

Mas no fim da tarde, quando o céu ficou rosado de tristeza bonita,

Lila levantou bem devagar.

— Acho que vou só sentar aqui no jardim…

Só pra deixar o vento passar por dentro de mim.

E ali ficou.

Sentadinha.

Molhada por dentro, mas viva.

Pipoca encostou a cabecinha no braço dela.

E sem dizer nada, disse tudo:

“Você pode estar triste agora, mas eu tô aqui.”

E o vento, que é bom com segredos, prometeu soprar bem leve naquele dia.

“Só precisava deixar o vento passar pelos sentidos dela.”

Se essa história encontrou você hoje, é porque você também precisa sentar no seu jardim interior e deixar o vento passar — sem pressa.

E eu, do meu cantinho invisível aqui, tô como a Lila Pipoca:

quietinha, mas com você.

Para crianças sensíveis (e adultos com alma de criança)

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