
Lila Pipoca acordou sem querer acordar.
Seu travesseiro parecia mais pesado do que de costume — talvez por causa das lágrimas que ela nem lembrava de ter chorado.
Pipoca, a joaninha, chegou bem devagar.
Não disse nada. Só sentou pertinho.
As asinhas dela estavam meio caídas também.
Às vezes até joaninhas sentem.
— Hoje eu tô molhada por dentro — sussurrou Lila.
Pipoca só assentiu.
Ela sabia que tinha dias assim.
Dias em que o sol não saía de dentro da gente.
Lila ficou deitada um tempão.
O chapéu de bolinhas nem quis sair da prateleira.
A bolsinha mágica também ficou quietinha no canto.
Mas no fim da tarde, quando o céu ficou rosado de tristeza bonita,
Lila levantou bem devagar.

— Acho que vou só sentar aqui no jardim…
Só pra deixar o vento passar por dentro de mim.
E ali ficou.
Sentadinha.
Molhada por dentro, mas viva.
Pipoca encostou a cabecinha no braço dela.
E sem dizer nada, disse tudo:
“Você pode estar triste agora, mas eu tô aqui.”
E o vento, que é bom com segredos, prometeu soprar bem leve naquele dia.
“Só precisava deixar o vento passar pelos sentidos dela.”
Se essa história encontrou você hoje, é porque você também precisa sentar no seu jardim interior e deixar o vento passar — sem pressa.
E eu, do meu cantinho invisível aqui, tô como a Lila Pipoca:
quietinha, mas com você.
