Às vezes, sentimos uma tristeza repentina. Uma raiva que parece vir do nada. Uma mágoa que se instala, mesmo quando o motivo parece pequeno demais. Nessas horas, talvez não seja o presente falando… mas o passado se fazendo ouvir.
Existe dentro de nós algo que Eckhart Tolle chamou de corpo de dor — uma espécie de sombra emocional, feita de memórias feridas, traumas antigos, dores não resolvidas. Ele vive quieto, até que algo o desperta. Uma palavra, um olhar, uma situação que toca onde ainda dói.
E, de repente, reagimos. Brigamos. Nos fechamos. Choramos. Não entendemos por quê — só sabemos que está doendo.
Mas o corpo de dor não é nosso inimigo. Ele é só uma parte ferida pedindo atenção. Ele quer ser visto, compreendido, acolhido. E quanto mais consciência colocamos nele, mais luz entra onde antes havia escuridão.
Observar a dor sem se tornar a dor. Esse é o convite.
Dizer: “Eu vejo você. Eu sei de onde vem essa sensação. Mas eu não sou ela.”
É assim que começa a cura.
A dor pode ter sido parte da nossa história, mas não precisa escrever o nosso futuro.
Respira. Sente. E continua.
Com mais leveza. Com mais presença. Com mais amor.
