Nem sempre o afastamento é sobre os outros. Muitas vezes, é sobre proteção. Quando alguém começa a se isolar, a evitar conversas, encontros, vínculos, pode ser porque já se machucou demais. Criar distância parece mais seguro do que correr o risco de se decepcionar de novo.
Evitar pessoas pode ser uma forma de controle: se eu não me envolvo, ninguém me atinge. Se eu me escondo, ninguém me rejeita. É uma lógica de sobrevivência, criada a partir da dor.
Mas o que protege também pode aprisionar. O isolamento constante seca a empatia, enfraquece os laços e nos deixa sozinhos até com o que a gente não sabe lidar. E o silêncio vira ruído interno: a mente começa a falar alto demais, cheia de autocríticas, inseguranças, suposições que ninguém vem corrigir.
Sim, tem gente que faz mal e precisa ser evitada. Mas quando começamos a evitar todo mundo, vale a pena se perguntar: estou me afastando para me cuidar ou para não sentir? Estou me protegendo ou estou desistindo?
Relações machucam, mas também curam. Às vezes, o que falta não é ficar sozinho, mas encontrar quem respeite o nosso tempo, o nosso espaço e ainda assim fique por perto.
Se esconder pode ser necessário por um tempo. Mas viver de verdade exige algum grau de encontro — nem que seja aos poucos, com calma, e com quem faz a gente se sentir seguro de novo.
