Uma vez, uma professora minha na UFRRJ disse algo que nunca esqueci: “A gente não pode aceitar tudo calado só para evitar conflitos. Algumas vezes, para mudar, é preciso exatamente o contrário.”
Essa frase diz muito sobre como aprendemos — ou fomos ensinados — a lidar com desconfortos. Desde cedo, muitos de nós ouvimos que é melhor “não criar problema”, “deixar pra lá” ou “engolir seco”. Como se manter a paz fosse mais importante do que questionar o que está errado.
Mas manter a paz a qualquer custo não é paz. É silêncio forçado. E silêncio constante diante da injustiça, do abuso ou da desigualdade só fortalece quem se beneficia dessa estrutura.
Conflitos nem sempre são sinais de desordem. Às vezes, são sintomas de mudança. Questionar, apontar o que incomoda, discordar com argumentos — tudo isso é parte do processo de transformar algo que já não funciona. O medo do conflito muitas vezes impede avanços. Já a coragem de enfrentá-lo pode abrir espaço para o novo.
Ficar calado por medo de incomodar é diferente de escolher o silêncio como estratégia. Uma é submissão, a outra é consciência.
Nem todo confronto é briga. Nem toda crítica é ataque. E nem todo incômodo é algo que deve ser evitado. Às vezes, é justamente no incômodo que mora o começo da mudança.
