Coleções de Leitura | Sinfonia de Palavras

Quando a insegurança nos faz voltar para onde já não cabemos mais

Eu não queria voltar.

Não era parte do plano. Eu sabia o que tinha vivido, o que tinha sentido, e por que tinha decidido ir embora. Mas, no meio do caminho, a insegurança falou mais alto. E voltei. Voltei para um lugar que já não era meu, para um espaço onde a minha felicidade não cabia mais.

É curioso como a gente, às vezes, prefere o desconforto conhecido ao desconhecido que pode ser bom. Porque o novo assusta. O incerto paralisa. A felicidade exige coragem — e, nem sempre, a gente está pronto para encarar isso.

Voltar atrás pode parecer fraqueza, mas, na verdade, é só medo. Medo de não dar conta, de se arrepender, de estar sozinha. Medo de tentar e falhar. E aí a gente volta. Reabre portas que já deviam estar fechadas. Se encolhe para caber onde já não deveria mais caber. E isso machuca. Silenciosamente, todos os dias.

A gente se convence de que é melhor assim. Que é mais seguro. Mas, por dentro, sabe: está abrindo mão da própria paz, da própria verdade, da própria felicidade.

E chega um ponto em que isso se torna insustentável.

Escrever isso aqui é também um jeito de lembrar a mim mesma: não dá para construir um novo caminho com os pés presos no antigo. A insegurança vai continuar existindo. O medo também. Mas talvez a coragem não seja a ausência deles, e sim a decisão de seguir mesmo com eles ao lado.

Que a gente aprenda, pouco a pouco, a confiar mais em si do que no medo. A escolher a gente, mesmo quando isso parecer difícil. Porque voltar para o que nos feriu nunca será a resposta.

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