O luto e o seguir a vida
Falar sobre luto é falar sobre amor. Não existe dor onde não houve afeto. E por isso, quando alguém parte — seja por morte, distância ou fim de um ciclo — fica esse vazio difícil de nomear, essa saudade que aperta o peito e às vezes silencia a alma.
Cada pessoa vive o luto à sua maneira. Não existe um tempo certo, uma fórmula ou uma linha reta. Às vezes ele vem em ondas, outras vezes como um nevoeiro que parece não passar. Há dias em que conseguimos sorrir, e há dias em que levantar da cama já é um feito enorme.
O mais desafiador talvez seja essa ideia de “seguir em frente”, como se seguir fosse sinônimo de esquecer. Mas não é. Seguir em frente é levar junto. É transformar a ausência em presença silenciosa. É continuar vivendo sem quem amamos, mas com tudo o que essa pessoa nos deixou: os gestos, as palavras, o jeito de ver o mundo.
Muitas vezes sentimos culpa por nos alegrarmos de novo, por planejar algo novo, por sentir vontade de recomeçar. Mas a vida não nos pede para deixar pra trás quem partiu — ela nos convida a encontrar um novo jeito de seguir com a dor, com o amor, com a memória viva do que fomos e do que ainda podemos ser.
Porque no fundo, seguir a vida é também uma forma de dizer: “você continua aqui, de outro jeito, em tudo o que eu sou agora”.
