A confiança é uma ponte invisível que construímos com gestos, palavras, presença e verdade. Demora tempo a erguer-se, mas pode ruir em segundos. E quando isso acontece — quando alguém em quem confiávamos nos desilude, trai ou magoa — o impacto é mais profundo do que gostaríamos de admitir.
Não é apenas a confiança no outro que se quebra. É a confiança em nós mesmos que fica abalada.
Começamos a questionar:
- “Como não vi isto antes?”
- “Fui ingénuo(a)?”
- “Posso confiar de novo?”
Estas perguntas são normais. São humanas. Mas precisamos de olhar para elas com compaixão, e não com culpa.
💔 Quando a confiança se quebra
A dor da traição — seja numa amizade, num relacionamento amoroso ou mesmo em contexto profissional — vem do choque entre o que esperávamos e a realidade que nos foi imposta. É o descompasso entre a promessa emocional e o comportamento real. E essa ferida toca algo ainda mais íntimo: a nossa autoestima.
Quando alguém quebra a nossa confiança, temos tendência a interiorizar a culpa, a pensar que fizemos algo de errado. Mas a verdade é que a responsabilidade pelo erro é de quem o comete, não de quem confiou com o coração aberto.
Como reconstruir — em nós, não no outro
- Reconhecer a dor: Não finjas que não dói. Dá nome à desilusão. Escreve, fala, sente. Só assim consegues curar.
- Reaprender a confiar em ti: Tu não perdeste o teu valor. O erro do outro não diminui quem tu és.
- Impor limites saudáveis: A dor ensina. Usa-a para fortalecer os teus limites, não para construir muros intransponíveis.
- Escolher com consciência: A confiança é um presente que damos. Não se dá de olhos fechados, mas também não se deve negar por medo.
A confiança quebrada dói. Mas também pode ser o início de um novo ciclo: mais consciente, mais forte, mais teu.
