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Quando o Amor Perde o Encanto

O amor sempre foi visto como algo forte, capaz de resistir ao tempo, aos desafios e até aos erros. Fala-se sobre sua grandiosidade, sobre como ele tudo suporta, tudo perdoa, tudo renova. Mas e quando não? E quando o amor, ao invés de se fortalecer, se desfaz como vidro quebrado? Quando a dor da decepção toma conta e tudo o que antes era belo e encantador se torna insuportavelmente vazio?

É possível perdoar erros, mas isso não significa que as marcas desaparecem. Às vezes, as feridas são tão profundas que o sentimento que um dia trouxe luz e calor se transforma em algo árido, distante. No instante em que a confiança é rompida, o amor pode se dissolver sem aviso, sem luta, sem despedida. E, no lugar onde antes havia ternura, fica apenas um silêncio pesado, um vazio que ecoa na alma.

A reação muitas vezes é implacável. A dor transforma e endurece, tornando impossível ver além da mágoa. A defesa natural é erguer muros, afastar-se, negar qualquer possibilidade de resgate. Mas, ao rejeitar o que machucou, será que também não se está rejeitando a própria capacidade de sentir?

Com o tempo, a culpa aparece. Não apenas pelo que aconteceu, mas pelo que foi feito consigo mesmo. Pelo que foi perdido por orgulho, por medo, por não saber lidar com a dor. Como encontrar o caminho de volta quando já não se reconhece mais o que se sentia?

Talvez o amor não desapareça completamente. Talvez ele apenas se esconda atrás das feridas, esperando o momento certo para ser redescoberto—se ainda houver forças para isso.

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