A Bíblia nos ensina: “Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá.” (Êxodo 20:12). Esse mandamento carrega uma promessa de bênção, mas também nos faz refletir sobre o que significa, na prática, honrar pai e mãe – especialmente quando a relação entre pais e filhos se torna difícil e dolorosa.
Honrar não significa aceitar qualquer comportamento. Infelizmente, há momentos em que os filhos tornam-se tão desrespeitosos, ingratos e até hostis que o convívio se torna insustentável. Palavras ferem, atitudes machucam, e chega um ponto em que os pais precisam se afastar para preservar sua paz e sua dignidade. Mas será que esse afastamento contradiz o mandamento bíblico?
A resposta está no equilíbrio entre amor e respeito mútuo. Deus nos ensina a sermos misericordiosos, mas também nos orienta a cuidar de nossa própria saúde emocional e espiritual. Pais não são obrigados a suportar humilhações, agressões verbais ou desvalorização constante. Relacionamentos saudáveis são construídos sobre o respeito, e quando ele desaparece, a convivência pode se tornar destrutiva.
Afastar-se não significa deixar de amar. Em muitos casos, o distanciamento é a única maneira de mostrar que existem limites e que o desrespeito não pode ser normalizado. Amar um filho não significa permitir que ele nos trate mal, assim como amar um pai não significa aceitar abusos.
Se você, como pai ou mãe, sente que sua presença está sendo desprezada, que suas palavras são ignoradas e que sua dignidade está sendo ferida, talvez seja hora de se recolher. Não por orgulho, mas por sabedoria. O tempo e a reflexão podem ensinar lições que palavras não conseguem.
E para aqueles que são filhos, fica a reflexão: será que você tem honrado seus pais da forma que Deus deseja? O tempo passa rápido, e muitas vezes só percebemos o valor das pessoas quando já é tarde demais.
